Depende do que você quer ver, e o ano do vinhedo tem quatro cenas diferentes. Entre o fim de agosto e o fim de setembro a videira recomeça: é a brotação. Em novembro, e no começo de dezembro em algumas variedades, vem a plena floração. Entre janeiro e fevereiro as bagas mudam de cor. E de meados de março até a segunda quinzena de abril acontece a colheita.
As datas acima são médias de sete safras acompanhadas pela Epagri em São Joaquim, de 2013/14 a 2019/20, em oito variedades. São referência de ritmo, não calendário garantido: cada ano é diferente, e cada propriedade tem o seu.
Quando o vinhedo recomeça em São Joaquim?
Entre o fim de agosto e o fim de setembro. Nas oito variedades acompanhadas pela Epagri, o início da brotação ficou entre 29 de agosto, na Rebo, e 24 de setembro, na Garganega, com 26 dias separando a mais precoce da mais tardia.
O próprio estudo classifica as variedades por essa data: precoces são as que iniciam a brotação até 9 de setembro, intermediárias entre 10 e 17 de setembro, tardias depois de 18 de setembro.
O que se vê nessa janela é o contrário do cartão-postal. A parreira ainda tem aparência de madeira seca, e o verde aparece em pontos, gema por gema. Quem quer fotografar a fileira cheia está olhando outra época.
Há um detalhe que explica por que essa data importa tanto para quem produz. O artigo da Epagri registra que na região de São Joaquim ocorrem, com frequência, geadas capazes de causar fortes declínios quantitativos nas produções, e que por essa razão o atraso na brotação pode significar uma vantagem adaptativa em estabilidade produtiva.
O que se vê no vinhedo em novembro?
A floração. A plena floração foi observada em novembro na maioria das variedades acompanhadas pela Epagri, e no início de dezembro na Montepulciano e na Garganega. Entre a mais precoce e a mais tardia, 19 dias de diferença.
Nessa altura o dossel ainda está crescendo. No trabalho de Borghezan e colegas, o crescimento dos ramos seguiu até a segunda quinzena de fevereiro, e é esse período que deixa a fileira verde e fechada.
Quando as uvas mudam de cor?
Entre a segunda quinzena de janeiro e o fim de fevereiro. Nas variedades acompanhadas pela Epagri, a mudança de cor ficou, em média, entre 20 de janeiro na Manzoni Bianco e 24 de fevereiro na Garganega, 35 dias de intervalo.
Essa virada tem nome próprio na viticultura: véraison. É quando as bagas mudam de coloração ou amolecem, e é o marco que abre o período de maturação.
Borghezan e colegas acompanharam três variedades em São Joaquim, a 1.293 metros de altitude, nos ciclos 2005/2006 e 2006/2007. Ali a maturação começou em fevereiro, cerca de 70 dias após a plena floração.
Para quem visita, é a época em que o cacho já está formado e a cor está mudando na sua frente, fileira por fileira.
Quando começa a colheita da uva em São Joaquim?
De meados de março em diante, e ela se estende até a segunda quinzena de abril. Nas médias da Epagri, a primeira variedade colhida foi a Manzoni Bianco, em 15 de março, e a última a Montepulciano, em 17 de abril.
O trabalho de Borghezan e colegas descreve o mesmo desenho em outro vinhedo e em outras safras: Sauvignon Blanc em meados de março, Merlot na primeira semana de abril, Cabernet Sauvignon na segunda quinzena de abril.
Se a colheita é o que você quer ver, confirme com cada vinícola se ela abre a vindima para visitantes. Isso muda de propriedade para propriedade e de safra para safra.
Por que o ciclo em São Joaquim é mais tardio que no resto do Brasil?
A pesquisa aponta a temperatura. Borghezan e colegas escrevem que as temperaturas mais amenas influenciaram o ciclo fenológico das variedades estudadas, que é mais longo e mais tardio que nas outras regiões vitícolas do Brasil.
Em números: nas médias da Epagri, o ciclo vegetativo das oito variedades foi de 200 dias. As mais precoces fecharam em 183 e 184 dias; as mais tardias, em 206, 208 e 214 dias.
Na prática, o calendário daqui não é o mesmo das regiões vitícolas mais antigas do país. Quem sobe com o calendário de outra região na cabeça erra a cena que vai encontrar.
E fora do ciclo da planta, vale subir?
Vale, e por outro motivo. Entre o fim de abril e meados de agosto o vinhedo está fora de cena, e o que se visita é a vinícola em si: a cave, a barrica, a taça sentada, a conversa com quem faz o vinho.
Aqui a regra é a mesma do resto do ano, e ela não muda com a estação: o formato, o horário, o valor e o que está incluso são decisão de cada vinícola. Confirme direto com ela antes de subir a serra.
Como escolher a sua época, em uma linha
Quer ver o começo do ciclo, com a parreira ainda quase nua: setembro.
Quer o vinhedo verde e a paisagem cheia: de novembro a fevereiro.
Quer ver a uva mudando de cor: segunda quinzena de janeiro e fevereiro.
Quer a colheita: de meados de março até a segunda quinzena de abril.
Fora do ciclo da planta, quer a cave, a barrica e a taça com calma: entre o fim de abril e meados de agosto.
Perguntas frequentes
Precisa agendar para visitar uma vinícola em São Joaquim?
Isso muda de uma para outra. Há casas com agendamento pelo próprio site e há casas que pedem que horário, valor e formato sejam consultados pelo canal delas. Confirme em cada uma antes de fechar o roteiro.
Dá para ver a colheita como visitante?
Depende da vinícola e da safra. A colheita nas médias da Epagri vai de 15 de março a 17 de abril, mas abrir ou não a vindima para visitantes é decisão de cada propriedade.
As uvas de São Joaquim amadurecem na mesma época das outras regiões vitícolas do país?
Não. Borghezan e colegas registram que o ciclo da videira em São Joaquim é mais longo e mais tardio que nas demais regiões vitícolas brasileiras.
Quanto tempo dura uma visita?
Isso varia com o formato escolhido em cada casa, e é uma das três perguntas que valem a pena fazer antes: se precisa agendar, quanto tempo dura e o que está incluso no valor.
Escrito pela Pousada Maçã Araucária, em São Joaquim, na Serra Catarinense. Lenice e Ari recebem hóspedes na serra e conhecem o calendário do destino de perto. Se quiser ajuda para encaixar a data da sua viagem, fale com a gente no WhatsApp (49) 99122-4593.
Fontes: Felippeto, Caliari, Brighenti e Nesi, “Requerimento térmico e características físico-químicas de diferentes variedades de videira em São Joaquim, SC”, Agropecuária Catarinense, v.34 n.1, Epagri, com dados das safras 2013/14 a 2019/20. Borghezan, Gavioli, Pit e Silva, “Comportamento vegetativo e produtivo da videira e composição da uva em São Joaquim, Santa Catarina”, Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.46 n.4, com dados dos ciclos 2005/2006 e 2006/2007. Ambos consultados em 26/08/2026.
Pousada Maçã Araucária
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A Pousada Maçã Araucária fica em São Joaquim, no meio da rota das vinícolas da serra. Fale com a gente no WhatsApp pra encaixar a data certa do seu roteiro.


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